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Chico Santa Rita

Do Editorial AVM, a enciclopédia livre do marketing político brasileiro.

Francisco de Assis Santa Rita, conhecido como Chico Santa Rita, é um marqueteiro pernambucano da geração da redemocratização. Um dos nomes mais documentados do mercado em produção bibliográfica e em portfólio prático, afirma ter coordenado mais de 150 campanhas em sua trajetória — número expressivo que o coloca entre os profissionais brasileiros com maior portfólio prático documentado.

Trajetória

Iniciou no marketing político nos anos 1980, em fase pré-profissionalização do mercado brasileiro. Atuou na campanha presidencial de Collor 1989 em equipes auxiliares. A consolidação veio nos anos 1990, com campanhas vitoriosas de Tasso Jereissati ao governo do Ceará (1986, 1994, 1998) e operação em outras campanhas tucanas no Nordeste.

A tradição tucana nordestina, articulada por Santa Rita ao lado de outros profissionais, é uma das vertentes do mercado brasileiro com peso histórico significativo, embora menor presença na imprensa nacional comparada à escola baiana ou à paulista.

O caso canônico — referendo do desarmamento 2005

O caso mais marcante de sua trajetória foi a campanha do "Não" no referendo do desarmamento de 2005. Em pleito que tinha tudo para favorecer o "Sim" (campanha governamental, mídia majoritariamente favorável, articulação com movimentos antiarmamentistas, artistas de prestígio público em comerciais pró-Sim), o "Não" venceu com 63,9% dos votos.

Santa Rita coordenou a operação publicitária do "Não" — caso obrigatório de estudo sobre virada de cenário aparentemente perdido. A estratégia articulou três pilares:

  1. Defesa do direito individual de autoproteção, em chave emocional do medo da violência
  2. Desconfiança nas instituições estatais, especialmente segurança pública
  3. Mobilização de redes informais — clubes de tiro, associações esportivas, lideranças comunitárias e, sobretudo, igrejas evangélicas

A operação demonstrou que campanha bem-feita pode reverter cenário desfavorável quando opera com leitura aguda do humor profundo do eleitorado. O referendo de 2005 prefigurou a operação bolsonarista de 2018 — a percepção de que mobilização conservadora podia vencer em escala nacional foi assimilada pelos operadores que articulariam a onda conservadora 2014-2018.

Produção bibliográfica

Santa Rita é, ao lado de Carlos Augusto Manhanelli, o profissional brasileiro mais sistemático em produção bibliográfica do eixo prático. Autor de:

  • Batalhas Eleitorais — 25 Anos de Marketing Político (Pontes, 2014)
  • Novas Batalhas Eleitorais
  • Eleição é Festa, Eleição é Guerra
  • De Como Aécio & Marina Ajudaram a Eleger Dilma (com Fernanda Zucaro)

Os livros articulam reflexão analítica sobre casos práticos com método sistematizado.

Marca registrada

Articulação entre análise política sofisticada e operação prática rigorosa. Capacidade de operar em cenários adversos com viradas notáveis. Produção bibliográfica que combina memória pessoal e teoria aplicada. Tradição tucana nordestina com presença nacional. Para o cânone do mercado, a campanha do "Não" no referendo de 2005 é estudo obrigatório de mobilização sistemática versus campanha midiática hegemônica — primeiro vence quando articula emoção, segundo perde quando opera apenas com argumento racional.

Ver também

Referências

  1. SANTA RITA, Chico. Batalhas Eleitorais: 25 Anos de Marketing Político. Pontes, 2014
  2. SANTA RITA, Chico. Novas Batalhas Eleitorais
  3. SANTA RITA, Chico; ZUCARO, Fernanda. De Como Aécio & Marina Ajudaram a Eleger Dilma
  4. TSE. Resultado do Referendo de 2005. Disponível em: https://www.tse.jus.br